Talvez isso seja voltar pra mim
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Tem dias em que eu sinto que me perdi de mim.
Não de um jeito óbvio…
eu acordo, organizo as coisas, resolvo o que precisa ser resolvido, respondo mensagens, trabalho, cuido da casa…
e quando vejo, o dia já passou.
Mas eu… não sei exatamente onde eu estava ali no meio de tudo.
É como se eu estivesse funcionando, mas não exatamente vivendo.
E isso tem me incomodado de um jeito silencioso.
Porque, se alguém olha de fora, parece que está tudo certo.
Eu estou dando conta.
Estou sendo responsável.
Estou fazendo o que precisa ser feito.
Mas por dentro… eu sinto falta de presença.
Sinto falta de mim.
Às vezes isso aparece em momentos simples.
Quando eu sento pra comer e nem percebo o gosto da comida.
Quando eu pego o celular “só um pouquinho” e me perco ali por muito mais tempo do que gostaria.
Quando o dia termina e eu não lembro de um momento em que eu realmente parei.
E aí vem aquela sensação estranha…
de que eu estou sempre ocupada, mas nem sempre conectada.
Eu sei que sou forte.
Sempre fui.
Mas, ultimamente, eu tenho sentido um cansaço que não é só físico.
É um cansaço de ter que sustentar tudo o tempo todo.
De não me ouvir.
De me deixar pra depois.
E o mais difícil é perceber que, no fundo… eu sei.
Eu sinto quando estou passando dos meus limites.
Eu percebo quando algo não está me fazendo bem.
Eu só continuo mesmo assim.
Talvez por hábito.
Talvez porque parar parece egoísmo.
Talvez porque eu aprendi a priorizar tudo… menos a mim.
Mas isso tem mudado, aos poucos.
Sem grandes decisões.
Sem mudanças radicais.
Só pequenos movimentos.
Como tentar ficar em silêncio por alguns minutos, mesmo com a cabeça cheia.
Como prestar atenção no meu corpo durante o dia — quando ele pede pausa, quando ele está tenso.
Como respeitar quando eu simplesmente não estou bem, sem tentar “resolver” isso na força.
E, principalmente…
como voltar a ouvir a minha intuição.
Porque ela nunca deixou de falar.
Eu que me afastei.
E agora, quando eu escuto… mesmo que seja um sussurro, já faz diferença.
Eu começo a me sentir mais presente.
Mais conectada.
Mais eu.
Talvez se reconectar não seja sobre se transformar.
Talvez seja só sobre parar de se abandonar.
Parar de se ignorar nos detalhes.
Parar de viver no automático o tempo inteiro.
E voltar.
Voltar pro corpo.
Voltar pro sentir.
Voltar praquilo que, no fundo, sempre esteve ali.
Eu ainda estou aprendendo.
Mas tem algo diferente agora.
No meio da rotina, das responsabilidades, das coisas que não podem esperar…
eu tenho me lembrado, mesmo que por alguns segundos, de mim.
E talvez…
isso já seja um começo.
Talvez isso seja voltar pra mim.